sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nobreza não perde memória...foi só um lapso


A turma de fiéis leitores sabe que a princesa tava na casa dos 70 aninhos mas, com corpete e belezura de 50, correto? OK.

E que ela quase toda noite saía pra jantar com amigos, reuniões e sei lá mais o quê.

E que nós morávamos num apartamentinho de 11 peças, perto do Arco do Triunfo. Lugar simplesinho.

E também se lembram que ela teve uma educação severíssima, daquelas que não perde a pose nem no trono. Bobagem minha, trono é lugar de pose. Plebeu é uma raça que não entende nada mesmo.

Tô dando esse resumo pro caso fazer sentido. O que vou contar.

Os meus aposentos ( chic demais! ) ficavam no início do apartamento e a janela do meu quarto ficava bem acima da porta de entrada do prédio, no primeiro andar.

Um belo dia, ela saiu toda serelepe eu fiquei na minha, fui dormir e já tava no meu estado de coma normal de quando durmo, quando acordei com pedrinha na janela e ela me chamando alto. (Princesa não grita....rs)

Saí do coma tonta, abri a janela e ela falou quase chorando: "Esqueci o código da porta. Qual é mesmo?" Eu disse, ela abriu e entrou.

Voltei pra cama num pulo e, quando já tô me ajeitando, ela entra no quarto. Isso jaaaamaaaaais aconteceu. Nunca ela entrou no meu quarto. Se precisava de alguma coisa batia na porta.

Foi entrando e falava meio que desesperada: " Isso nunca me aconteceu... que que pode estar havendo? Nunca me aconteceu antes..." e repetia, repetia. Depois de uns minutins, virei pra ela determinada a terminar com a patacada e disse: "Escuta princesa, se nunca aconteceu, aconteceu agora, hoje. Vai dormir. Amanhã escrevo num papelzim o código e doravante prafrentemente andarás com ele na bolsa. Tá bem? "
Ela sentiu que eu tava pondo um fim na prosa e caiu fora.

Pode? Eu tô lá preocupada de ficar guardando tralha na cabeça? Mas ela era de uma rigidez do cão. Não se conformava com este esquecimento. Deve ter ficado com medo. Aquele medo que começa aos 30.

Mas coloquei o papelzim na carteira.

Agora, só faltava me acordar pedindo óculos pra ler o papelzim.

9 comentários:

Kátia Flávia disse...

Não adianta. Plebeu ou Princesa, todo mundo tem medo do alemão.

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Mais uma cena de cinema!
kkkkkkkk!

Ieda Dias disse...

Tal e qual...hhheeeeeee
bjins

Raul Ferreira Bártholo disse...

Fui mexer nas coisas do Gabeira eencontri voce aqui!
Pois que seja boa sorte!
Gostei muito dos seus escritos. Voltarei para conferir. Atiçam o espírito,enquanto a vida corre. Fazem bem. Beijo.

Ieda Dias disse...

Seja muito bem vindo, Raul. "Recomendado"..rs... então pelo Gabeira, que admiro tanto, melhor ainda. Por favor passe todo dia pra conferir as historias dos caminhos por onde andei...e ando.
bjins

Ana disse...

Pra ela entrar no quarto sem bater devia estar, realmente, desesperada. rs!

Ai, que sofrimento desnecessário... Cada um tem o seu, não é mesmo? rs!

Ieda Dias disse...

Deve ser realmente muito difícil pra uma pessoa dinamica pra cacete sentir que as "lamparinas do juizo" tão se apagando...
bjins

Anônimo disse...

Ótimo causo, ieda, e muito bem contado, só queria saber quem era essa sua princesa, no mínimo é ou foi alguma celebrity >)
um abraço, já comi todos os sanduíches esperando o outro capítulo do outro causo :)
clara

Ieda Dias disse...

Clara, ela é de uma familia muito conhecida aqui na França. Mas a nobreza, nobreza mesmo, não sai em Caras ou Quem. Esse povo rico de berço é muito discreto. Ela é de origem russa.
bjins

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