segunda-feira, 21 de junho de 2010

Gerações diversas, 400 anos ao todo e um sábado delicioso

E lá fomos nós passar o sábado no sítio. Já contei sobre esse sítio aqui no blog. Olhem lá as fotos - "Fazendo troca-troca..." - 18/10/2009 .

O dia tava lindo ! Céu azulzim e um calor gostoso, depois de mais de uma semana bem gelada, pros padrões do nosso inverno.

O grupo : dois membros na faixa de 30 anos, 3 na faixa de 60, 2 na faixa de 80, mais os 2 funcionários do sítio, faixa de 20 e de 40. Deu pra entender agora o título do post, né?

Bom demais! O sítio fica a mais ou menos 1h de Belo Horizonte - MG.

Acomodam-se todos em 2 carros e, com uns 15 a 20 minutos de "viagem", primeira parada. Não acredita? Ninguem crê. Mas é normal. E cada um ajuda o outro ...
- Cuidado com o degrau.
- Olha, que vai escorregar no jornal.
- Tira esse jornal do chão do carro. Isso é um perigo. Escorrega quiném quiabo (essas malditas propagandas que dão em sinal de trânsito. Vai tudo pro chão do carro).
Enfim... Fecha a porta do carro, mais uma escadinha, "cuidado". Senta a turma.
- Você quer de que? Queijo, carne, café, coca, capuccino não, café puro, café com leite
- Já tem açúcar?
- Pode trocar?
- O meu só com adoçante.

E sai o comandante da turma, pra missão quase impossível de fazer o pedido e pagar a ficha no caixa.
Uns 10 minutos depois, volta com aquela travessa linda cheia de pastéis fresquinhos, fritos na hora, gigantes (quase impossível comer dois). E a conversa principal é a seleção e o jogo de domingo. Claro!
- Sei não, esse ano, só porque é na África, só dá zebra!
- Você viu tal jogo?
- E aquele pênalti?
- E o ladrão do juiz, no jogo da Argentina?
E risos e todo mundo sentado e esparramado, como se já tivéssemos chegado ao destino.
- Tem uma pimentinha? Adoro pastel com molho de pimenta.
- Bão, terminaram? Alguém quer mais alguma coisa? Não. Então vambora.
E recomeçam as recomendações
- Cuidado com o degrau ! Olha a areia; escorrega pra cacete.
- Agora, eu vou no meio.
- Não, você tem problema nas pernas, vem na janela que é mais confortável.
- Não, eu gosto de ir no meio.
Meio, janela, meio, janela, chegaram a um acordo, coloquem cinto e prosseguimos.
- Eita caminho bonito esse !
- Viu como tá tendo trânsito? Impressionante, como há poucos anos atrás, era aquela tranquilidade pra ir pro sítio. É essa facilidade pra comprar carro. Agora qualquer zé mané pode ter carro. Até fulano comprou, cê viu?
- Quero ver quando esse povo começar a parár de pagar as prestações? Coisa do Lula. Cara filho da mãe!
E muda a prosa pra política. Eu aproveito pra descer o cacete nas duas antas : pai e filha.
- Viu a última da dilmanta?
- Tá tudo tão verdinho, né? Olhem como estas árvores da estrada tão grandes. Daqui a pouco vai dar um corredor tão bonito, como o bambuzal na entrada do aeroporto de Salvador - BA. Uma maravilha!
- Alguém sabe quanto ficou o jogo da Alemanha ? Tenho que colocar na minha tabela.
- Que tabela?
- A minha. Não desgrudo dela até terminar a Copa. Se a Alemanha ganha de não sei quem, e não sei quem empata com alguém, o outro do grupo B, vai....
- Nem adianta ficar me explicando isso. Jamais vou entender.
- Nem eu.
- Eu também vou assistindo os jogos e fim. Fico fazendo conta não, senão enlouqueço.
- Será que ainda tem mixirica?
- Semana passada tinha abacate caindo na cabeça da gente. Enchemos três caixas. Tinha abacate saindo pelo ladrão. Até o vizinho do segundo quarteirão lá da rua, ganhou.
- Tem cebolinha? A horta com esse frio fica de dar dó. Queimam as folhas das verduras.
- O Marquinhos é muito caprichoso, né? O sítio tá lindo !
- Gente, quando esses dois Ipês da entrada começarem a dar flor, vai virar ponto turístico da cidade! Estão lindos!
- Olha o tanto de maritaca.
- Curuz, você comprou mais pato? Toda semana parece que multiplicam. Cruz-credo, esse bicho cria mais que rato. Cadê aqueles pequeninos da semana retrasada? São aqueles grandões ali. Né possível!
- Vou ver se ainda tem acerola.
- Marquinhos, se tiver banana, corte um cacho pra gente levar, por favor.
- Até que enfim as galinhas resolveram botar. Tem semana que elas travam. Não tem um pra contar a história.
- Travam sim, eu sei na barriga de quem!
- O pé de amora tá lindo. Vai dar amora esse ano e vamos fazer geleia até.
- Dona Maria, pra começar prepare essa linguicinha e os torresmos pra gente ir tomando a cerveja. Ah! Pode passar uns bifes na chapa, também, pra gente ir beliscando. Não enche o freezer, porque, depois, estoura tudo. Tá muito frio. Faz favor.
- Ai, meu Deus! Vocês não vão acreditar. Tô voltando da lagoa. Tem peixe boiando. Tão morrendo por conta do frio.
- Não acredito! Tadinhos !
- Já morreram uns 15, disse o Marquinhos. A água gelou muito.
- Será que esses peixes vieram do nordeste e não tão acostumados com frio?
- Os lá de casa tão lindos e loiros, nadando serenos, só nos 28º.
- Turma folgada ! Com aquecedor até eu.
- Nunca tinha visto isso. Tinham umas manchas escuras no lago. Olhei bem e eram cardumes juntinhos, bem à flor da água. Você podia jogar ração em cima deles, que eles nem se mexiam. Os patos passavam nadando, na cabeça deles e eles quietinhos. Imagino que tavam tentando não gastar energia, pra ver se conservavam o calor. Ainda bem que o dia tava quente. Tomara que aqueça a água o suficiente pros bichinhos pararem de morrer.

-Cadê os corações de galinha pra isca?
- Aqui.
- Vamo tentar pescar.
Tentar mesmo. Passava peixe nadando, na maior lezeira do lado da isca, e nem olhava. Realmente não era dia pra pesca. E, além do mais, não dava vontade de pescar aqueles bichinhos, fazendo o maior esforço pra sobreviverem.

- Vocês viram as garças voando? Que coisa mais linda! Branquinhas!
- Gente do céu tá cheio de carambola. Docinha, docinha!

Enquanto um via o Japão jogar, outros chupavam mixirica, outra no computador trabalhando, outras duas na horta colhendo a salada pro almoço. Os pés de alface pareciam vitória-régia; um exagero de grandes e lindos! Salsa, cebolinha, abobrinha, rabanete, ervilha em vagem, cebola. Eita que deu uma salada de comer de joelhos. Delícia! Feijão roxinho, novinho, feito na hora. Arroz soltinho, branco, macarrão com molho de tomate da horta, também. E frango à passarinho, costelinha assada no forno, bife de boi. Deus me defenda! Família e amigos carnívoros. E trás outra cerveja e coloca outra no lugar dela no freezer. Tira uma, coloca outra.

- Vó, quer mais cerveja?
- Nesse copinho pequeno ? De jeito nenhum.Não sei quem teve idéia de comprar esses copinhos.
- Sem espuma.
- Cê gosta com espuma, né?
- É.
- Pra mim, mais guaraná.
- Fulano, cê tá cortando a costela errado. Tirando só a capa. Só a carne.
- Uai, não pode? E o dono da casa:
- Pode sim, aqui pode tudo. Pode o que a gente quiser.
- Cadê a pimenta?
- Tem farinha?
- Passe o azeite por favor.
- Vó, cuidado com o sal.

Quando conseguimos sair da mesa, o rumo que cada um tomou foi o da horizontal. Depois daquela começão sem fim, ninguém aguentava ficar de pé. Eu cochilei e, de vez em quando, ouvia :
- Quer um café? Passou agora.
- Alguém descobriu quanto ficou o jogo da Alemanha? Tenho que colocar na minha tabela.
Esqueci de contar que, depois do almoço, ainda teve a sessão pé-de-moleque. Delícia!

Lá pelas 5h da tarde, o chefe da caravana convidou a turma pra voltar pra casa. No que foi obedecido na hora, porque vinha aí uma das melhores partes do passeio, que era a parada em Pedro Leopoldo, terra do Chico Xavier, pra tomar sorvete.
E sai todo mundo dos carros e todas as recomendações de novo, e aí foi mais engraçado. A sorveteria é self-service, daquelas que, além de 4 freezers com todos os sabores possíveis, ainda tem aquela parafernália toda pra colocar por cima do sorvete, pra acabar de acabar de subir todo o colesterol, banhas, celulites e afins, se bem que, 50% da comitiva não tá mais se importando com banha e celulite. Se não subir a pressão, já tá de bom tamanho.
E começa a dúvida. E o grupo trança, num vai e vem em frente às delícias e pega pazinha e prova e por fim se decide. Todos se servem, cada um se senta com sua montanha de prazer e um silêncio sepulcral se instala. Cada um curtindo o seu sabor preferido. Só quase no final da jornada é que um primeiro dá o ar da graça e recomeça o falatório. Agora pra saber como estava o seu, qual o mais gostoso, pena que não cabe mais, por mim passava a noite aqui tomando sorvete, é um pecado jogar fora estas vasilhinhas de plástico, olha a qualidade do plástico, coitado do meio-ambiente, ainda bem que escolhi de casquinha e comi tudo, mas as casquinhas de hoje não são como as de antigamente, não são mais um biscoito crocante, tão duras, e mais isso e mais aquilo e voltamos pros carros, felizes, pancinha repleta de prazer, sonhando com a próxima volta ao sítio.
E sempre é convidado mais um amigo, mais um irmão, mais um pai, ou mãe, porque todos querem compartilhar com quem ama um dia feliz como esse. E num paraíso de paz e tranquilidade, tão perto da doideira da cidade grande.

Desta vez exagerei. Poderia ter dividido o causu em dois, mas, da última vez, a comida de rabo foi tão grande, que agora tô esperando o que vai rolar. Reclamação porque falei demais? Problema seu.

O dia foi tão gostoso, que não consegui parár de escrever. E olha que resumi, hein? Não acredita? Pode crer.

4 comentários:

JC disse...

É tudo di bão um dia como esse, Chérie e escreva à vontade, queime os dedinhos, nós adoramos.
Bjs.

Ieda Dias disse...

Oi meu bem. Lembrei de você quando vi os peixes lutando pela vida. Some não e brigadim.
bjos

Maga. disse...

Tem reclamação não.
Adoçante pra quê? Adorei as antas....rs
Roça, só com sol mesmo,que o povo da "cidade" arruma coisas e mais coisas p fazer.
Deve ter passado rapidinho o tempo.
bjo

Ieda Dias disse...

hhee....pois é Maga, tem tempos que não temos tanta anta no governo. Agora tem o anta-mor e a dilmanta. Uma zebra de burrice. Deus nos defenda!
bjins

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