quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mãe...no mínimo tem que ir pro céu!

A minha foi quiném uma flexa, tenho certeza!  Feliz.

Mãe é um ser muito paciente mesmo - ou faz de conta que tá tudo bem, pra não cometer um assassinato na frente de estranhos...rs.
Não me lembro bem qual era o problema; se era uma gripe forte ou dor de garganta, só sei que partimos em direção à farmácia. Na minha infância, problemas de doença infantis eram resolvidos com o Seu Romeu, da farmácia. ( Ixi! Acabei de lembrar de um causu ótimo. Conto depois.)

Evidente que a gente ia como gado pro abatedouro. Sabia que coisa boa não ia rolar; ou um remédio amargo de dar dó ou aqueles comprimidos de Melhoral (Quem se lembra? O danado era mole, poroso e a gente colocava na boca e o tempo de pegar o copo  d'água e ele já derretia. Amargava feito o capeta e o pó não dissolvia. Ai! Nem posso me lembrar, que arrepio de aflição. Grudava na garganta, na boca, por onde fosse passando. Arhg!!!)

Hoje em dia é tudo com sabor. Não digo que são deliciosos, mas tem sabor morango, mel, açai, laranja. Engana melhor as vítimas.
E os medicamentos à base de óleo? Ninguém merecia! Já tava doente e ainda tinha que sofrer mais um pouco ingerindo aquelas coisas.
Bão, falo demais e desvirtuo do caminho.
Estávamos indo "consultar" com Seu Romeu.

E, como previsto, claro que a notícia não era boa.
-Vai ter que tomar uma injeção. O efeito é mais rápido, corta logo a infecção e não fica tomando remédio durante uma semana. É pá pum! Tomou, valeu!
Disse ele todo engraçadinho. Graça quem não tava achando era a dona da bunda ou do braço que ia levar a picada.
- Onde você prefere?
- Prefiro em lugar nenhum. Não quero injeção. Tomo comprimido direitinho. Pode me dar.
- Mas é rapidinho, não vai doer, o Seu Romeu tem uma mão leve pra aplicar injeção.
Disse a mamãe tentando me convencer do impossível.
Mão leve um cactos. Pode ser uma pluma, mas a agulha fura e dói pra cacete. E o líquido quente entrando na carne, então! Vai doer assim lá longe.
- Mãe, compre comprimido - falei, já com voz de choro.
Enquanto isso, o seu Romeu tava lá, com a latinha de alumínio fervendo no fogareiro.
Isso pode parecer jurássico, mas eu juro, me lembro muito bem e só tem uns 50 anos....heheheeeeee...ou mais um tico.

Continuando... Já pararam de rir? OK.
Ferveu aquela porra até quase secar a água e, não sei se porquê, a injeção era de alumínio ou aço inox, sei lá , mas era imensa a seringa. E ainda tinha duas alcinhas pra se apoiar os dedos indicador e médio. (Eita memória phoda essa minha) E empurrava o pino do líquido com o dedo indicador.
Uma verdadeira arma. Hoje, seria nuclear.

A essa altura, eu já tava com o berreiro aberto. Soluçava. E a mamãe, tentando manter a calma, e me acalmar. Tava difícil. Realmente era uma operação de pavor.
Se uma criança de 10 anos de hoje, topasse  com esta cena,  acharia no mínimo que era um ato terrorista ou sequestro.
E eu lá, chorando e suplicando clemência, redução da pena,  troca por trabalhos forçados, qualquer coisa, menos a injeção.

E o Seu Romeu tirou a tampinha de borracha do vidrinho com o medicamento, sugou o dito pra dentro da seringa, tirou o ar da seringa jogando uma gota fora e veio na minha direção com a arma em punho, pronto pro ataque.
Eu chorava de dar dó. E esse lenga-lenga durou mais um pouco, até que ele, já perdendo a paciência total, imagino eu, virou pra minha mãe e disse:
- Não posso esperar mais, porque o medicamento perde a validade ou estraga - sei lá. No que minha mãe puxou a manga do vestido pra  cima, virou pra ele e disse.
- Pode aplicar em mim, pra não perder nem seu trabalho nem o medicamento.
E ele aplicou minha injeção na mamãe.

Só me lembro do tanto que ela me sugigou no caminho de volta pra casa. Se fosse hoje, teria dito mil vezes :
- Nunca paguei um mico tão grande na minha vida!


Tentei achar uma foto do "aparelho", pra mostrar a quem nunca viu, mas não encontrei. Achei este, mais antigo do que o meu e o outro a foto não tá muito boa. Mas dá pra se ter uma idéia.

8 comentários:

regina disse...

Ieda, bom dia
Seus "causus" são ótimos. Ainda estou rindo e lembrando da minha infância. Minha mãe que aplicva as injeções e quando a "latinha" ia para o fogão começava a minha saga para tentar me esconder, dentro do armário, em baixo da cama. Não tinha jeito. Eu era "caçada" por meu pai e minha avó. E aí, dá-lhe picada.
bjs

Ieda Dias disse...

Vc tb. viveu isso Regina? rrsss..era duro né não? Não sei como ainda não inventaram um substituto pra injeção.
bjos

Ana disse...

Jisuis, incrível este causo. Demais!!

Ieda Dias disse...

Jura, darling? Que bom.
bjins

Maga. disse...

O q é isso? Ninguém merece.
Gostaria de entender como alguém pode dizer q de graça até injeção na veia.Nem de graça ,só mãe, mesmo pagando.
Pois eu n podia nem chorar, meu pai olhava c uma cara feia...Tb, né, mãe é mãe mesmo.
bjim

Kátia Flávia disse...

É muito bom ler seus casos. A gente enxerga, participa e chega a doer (de rir). Só uma mãe mesmo pra te salvar da arma nuclear de um ataque terrorista. Demais!

Ieda Dias disse...

Lembra da Anoca? Vai doer, né mãe? E ela mesmo respondia: mas precisa, né? Coisa mais fôfa...dava vontade de tomar a injeção pra ela.
bjos

Ieda Dias disse...

Maga, mas se fosse a mãe amolecia. Mão sente a dor da gente...rs
bjins

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